Controle de Processos

Insira seu usuário e senha para acesso ao software jurídico

Notícias

Newsletter

Samba, documentos históricos e escravidão são debatidos no “Vozes da Memória”

Da esquerda para direita: servidora do Napjus, Isis Saint'Clair; professor Sidney Chalhoub; servidora do Napjus, Tatiana Brandão; pesquisadora Jessica Costa; pesquisadora Alessandra Elias; e o presidente do Cogen 1º Grau, desembargador Wagner Cinelli "O chefe da folia, pelo telefone, mandou me avisar. / Que com alegria, não se questione, para se brincar".  Esses são os versos iniciais de "Pelo Telefone", primeiro samba gravado no Brasil, composto em 1916 no quintal da casa de Tia Ciata, a matriarca do samba carioca. O local, considerado o berço dos batuques, ficava na região da Praça Onze, onde hoje está localizada a "Pequena África", e recebia nomes que se eternizariam na música brasileira, como Heitor dos Prazeres, João da Baiana e Donga, este responsável por registrar a canção que, no ano seguinte, seria sucesso no Carnaval da cidade.  Não muito distante dali, na Gamboa, o Museu da História e da Cultura Afro-brasileira (Muhcab) recebeu, neste sábado, 8 de agosto, a edição de 2026 do "Vozes da Memória", uma iniciativa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) desenvolvida por seu Núcleo de Atenção e Promoção à Justiça Social (Napjus). No evento, intitulado "Arquivos da Liberdade e do Samba", historiadores e pesquisadores se reuniram para debater, a partir da música e de documentos jurídicos, como a preservação dos registros influencia o reconhecimento da história e do legado cultural da população negra.  O presidente do Comitê de Promoção de Igualdade de Gênero e de Prevenção e Enfrentamento dos Assédios Moral e Sexual e da Discriminação no 1º Grau de Jurisdição (Cogen 1º Grau), desembargador Wagner Cinelli, classificou a atividade como fundamental.  "O Tribunal tem os Cogens, voltados para a prevenção e enfrentamento à violência, ao assédio moral, ao assédio sexual ou a qualquer tipo de discriminação. Nessa vertente da prevenção, é fundamental que a gente fale sobre esses temas importantíssimos. A equidade racial é uma necessidade, pois a sociedade brasileira tem um débito muito grande em razão do que aconteceu no período da escravização", destacou o magistrado.  Ações de liberdade e os arquivos do samba  Após uma visita guiada pelo Muhcab, o encontro seguiu com rodas de conversa e recebeu convidados especiais. Um deles foi o historiador e professor da Universidade de Harvard Sidney Chalhoub, que detalhou sua metodologia de trabalho ao apresentar ao público a pesquisa que está desenvolvendo atualmente. Nela, Chalhoub faz um paralelo entre histórias de ficção, quase todas escritas por Machado de Assis, e os processos cíveis que tratam da liberdade de pessoas escravizadas.  De acordo com o historiador, o objetivo é compreender como as histórias vividas por esses autores como cidadãos constituíram sua imaginação literária.  "Tenho trabalhado bastante com processos que envolvem pessoas escravizadas. O trabalho dos arquivos de guardar e cuidar desse material é sempre muito importante. Estou muito feliz de estar aqui e acho que esse trabalho é fundamental, porque o direito à memória é fundamental à democracia. Sem direito à memória não há democracia que se sustente ao longo do tempo", afirmou Sidney, que utilizou o acervo do Tribunal de Justiça como uma das fontes para escrever o livro Visões da Liberdade: uma História das Últimas Décadas da Escravidão na Corte.  Documentos como esses, utilizados pelo historiador, estão preservados pelo Arquivo Central do TJRJ, representado pelas pesquisadoras Jessica Costa e Alessandra Elias. Ao lado de Vinicius Natal, sambista e antropólogo, elas apresentaram o resultado de um trabalho feito pelo Grupo de Pesquisa Histórica (GPH) da Secretaria-Geral de Gestão do Conhecimento (SGCON). Entre os documentos encontrados estavam a partilha de bens de Tia Ciata, os inventários de Heitor dos Prazeres e João da Baiana, além da descoberta mais recente: o inventário de Donga.  Lá, em meio aos valores recebidos por direitos autorais de suas composições, está registrado o samba Pelo Telefone, que, anos depois, seria regravado por Martinho da Vila em uma nova versão — que deixou de contar a história de um festejo para relatar uma denúncia feita por repórteres do jornal "A Noite" sobre a tolerância policial com jogos de azar na região da Carioca.  O evento contou ainda com a presença da juíza Márcia Capanema; do presidente da Comissão da Verdade da Escravidão da OAB-RJ, Humberto Adami; do diretor da Divisão de Gestão de Documentos (Dideg) do TJRJ, Gilberto de Souza; e das servidoras do Napjus Tatiana Brandão e Isis Saint'Clair.  PB/SF Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ
10/08/2026 (00:00)

Contate-nos

Rua da conceição  95  sala 1705
-  Centro
 -  Niterói / RJ
-  CEP: 24020-090
+55 (21) 3620-6108+55 (21) 97549-6995
© 2026 Todos os direitos reservados - Certificado e desenvolvido pelo PROMAD - Programa Nacional de Modernização da Advocacia
Pressione as teclas CTRL + D para adicionar aos favoritos.