Controle de Processos

Insira seu usuário e senha para acesso ao software jurídico

Notícias

Newsletter

Historiadoras debatem “Acervos da Liberdade: história, memória e justiça” no Centro Cultural

Da esquerda para direita: o professor Gabriel Cerqueira; a diretora-geral do Arquivo Nacional Mônica Lima e Souza e a professora Keila Grinberg A diretora-geral do Arquivo Nacional, Monica Lima e Souza, e a professora Keila Grinberg foram as convidadas do programa Observatório em Diálogo, realizado na noite de segunda-feira, 1º de junho, para debaterem o tema “Acervos da Liberdade: história, memória e justiça”.  A partir de documentos históricos, processos judiciais e memórias preservadas em diferentes acervos, as historiadoras apresentaram reflexões sobre os arquivos da escravidão, das resistências negras e das trajetórias de emancipação no Brasil. Realizado na sala de debates do Edifício Desembargador Caetano Pinto de Miranda Montenegro, o evento foi aberto pela diretora do CCPJ, Ana Paula Teixeira Delgado, que representou a coordenadora do Centro Cultural, desembargadora Cristina Tereza Gaulia, e foi mediado pelo pesquisador do Observatório, Gabriel Cerqueira. Professora de História da África, do Programa de Pós-graduação em História Social e do Programa de Pós-graduação em Ensino de História, do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Monica Lima iniciou sua apresentação discorrendo sobre o trabalho desenvolvido e disponibilizado aos visitantes e a importância do Arquivo Nacional. “O Arquivo Nacional representa muito mais que um lugar onde se armazenam arquivos e documentos. Estão lá guardados registro de muitas histórias e memórias, assim como, documentos que podem ser utilizados para defesa dos seus direitos”, destacou. Ela também observou a importância do arquivo para a recuperação da história familiar daqueles que vão buscar informações sobre suas origens. “Ao mesmo tempo, ele é um espaço vibrante e forte para a produção e reconhecimento de memórias pessoais, fotos de família, de grupos sociais. O acervo ali localizado nos permite a possibilidade de lembrar. E é a partir dessas desses registros que a gente pode reconstruir histórias, elaborar e já dar sentido à história de variadas de pessoas, de grupos e de inpíduos em particular.” A professora também destacou o lançamento pelo Arquivo Nacional, em 2025, do Guia dos Marcadores de Gênero, Raça e Regionalidade - Guia de Fundos do Arquivo Nacional. A ideia foi mostrar, a partir da ação política das pessoas participantes desses esforços, a compreensão de que nomear, destacar e lançar luz aos marcadores de gênero, raça e regionalidade nos arquivos públicos é essencial para não se coadunar a projetos históricos de apagamentos e exclusão, e sim para participar de um projeto de reconhecimento de sujeitos políticos, de direitos e de ampliação e efetivação da democracia brasileira. Monica Lima rechaçou o discurso de várias linhas de pensamento que consideram o Arquivo Nacional como “chapa-branca” "A ideia é mais adiante descreve essa documentação para que esses sujeitos sejam encontrados e, também, combate aquela história que muitas vezes ouvimos de a documentação do Arquivo Nacional é toda chapa branca, que não tem população negra nem indígena. Nada mais longe da verdade do que isso. Essas presenças estão nos documentos e a gente só tem que encontrá-los, escutar as vozes. A gente escuta, reverbera. As vozes estão lá e a gente tem que iluminar essas presenças.” Professora titular do Departamento de História e diretora do Center for Latin American Studies da Universidade de Pittsburgh e professora titular licenciada do Departamento de História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Keila Grinberg, destacou em sua exposição o fato do evento estar acontecendo no espaço do Poder Judiciário do Rio de Janeiro. “É muito bom que a gente esteja no Centro Cultural do Poder Judiciário discutindo essas questões, que formam esse triângulo, Arquivo Nacional, Justiça e a universidade. Isso é fundamental porque traz esse diálogo que tem a ver com a luta pelos direitos humanos, com a luta pela cidadania. O que que a gente faz em história pública é justamente a ideia de que nós historiadoras, temos uma responsabilidade pública com a sociedade em justamente promover esse diálogo, que é um diálogo que informa, mas que também nos permite aprender. A professora, em seguida, exemplificou o compromisso do trabalho com a história pública com a montagem da exposição “Senhora Liberdade: mulheres desafiam a escravidão”, da qual é curadora. A exposição celebra o protagonismo feminino na luta pela liberdade, reunindo documentos, fotografias e vídeos do acervo do Arquivo Nacional para destacar o protagonismo e as formas de resistência das mulheres negras na luta pela liberdade. “A história pública não é uma história que é traduzida para o público, a história pública é uma história que se faz em conjugação entre o público ou a comunidade, seja ela qual for, e sempre em colaboração. E eu queria falar um pouco da exposição "Senhoras Liberdade" porque ela é um exemplo disso. Keila explica como a mostra foi construída. “Nós selecionamos dez ações de liberdades iniciadas propositalmente por mulheres e apresentamos cada história em cartazes imensos para que as pessoas pudessem ver. As ações de liberdade são processos em que pessoas, supostamente escravizadas, ou pelo menos teoricamente consideradas escravas, entraram na justiça para processar aquelas que alegam que são os seus senhores, dizendo que tem o direito à liberdade. Do ponto de vista jurídico, essa é a única forma em que uma pessoa escravizada pode ser autora em uma ação. Para essa apresentação, dez historiadoras foram convidadas para comentarem cada uma das histórias”. A exposição apresenta, ainda, certificados de liberdade das africanas livres, que se enquadram naquelas pessoas que chegara ao Brasil entre 1830 e 1831, após a proibição do tráfico de escravos. “Então, elas chegaram ilegalmente. Quando esses navios são apreendidos, tanto por brasileiros quanto por britânicos, essas pessoas que estavam a bordo daqueles navios, elas eram tecnicamente chamadas de africanos livres. Embora não sejam oficialmente escravizadas, elas são obrigadas a trabalhar por 14 anos ou para o Estado ou pra pessoas que detêm uma espécie de uma concessão. Esses documentos também mostram essa complexidade, porque são documentos, ao mesmo tempo, de liberdade e de escravização, porque eles mostram que essas pessoas são tecnicamente livres, mas elas trabalham como escravizadas. A professora também destacou outra parte da exposição, onde mulheres negras que trabalham no Arquivo Nacional tiveram a oportunidade de contar suas histórias. “A gente optou, também, em registrar na mostra o resultado de duas rodas de conversas que promovemos com mulheres negras que trabalham no Arquivo. A ideia era que a gente pudesse não só compartilhar, mas poder ouvir as reações das pessoas conhecendo essas histórias. Até porque muita gente trabalha no arquivo, são seguranças, ou seja, eles guardam a história, mas não sabiam as histórias necessariamente que eles guardavam. E a gente fez um vídeo que está lá na exposição.” Mediador do debate, o pesquisador Gabriel Cerqueira contou sua experiência quando foi convidado por uma recepcionista do Arquivo Nacional para conferir a exposição “Senhora Liberdade” “Eu fui ao Arquivo Nacional para fazer uma pesquisa e recebi um crachá da recepcionista. Quando eu estava me direcionando à sala de pesquisa, ela falou assim: ‘Tem essa exposição aqui também. Você já foi?”. E respondi: ‘Não, não fui.’ ‘Por que que você não aproveita e vai lá?’, insistiu ela. Daí, depois de fazer minha pesquisa, visitei a mostra. Agora pensando, talvez a recepcionista tenha me convidado porque foi mobilizada por esse caráter educativo”, considerou.  JM/IA Fotos: Rafael Oliveira/TJRJ
02/06/2026 (00:00)

Contate-nos

Rua da conceição  95  sala 1705
-  Centro
 -  Niterói / RJ
-  CEP: 24020-090
+55 (21) 3620-6108+55 (21) 97549-6995
© 2026 Todos os direitos reservados - Certificado e desenvolvido pelo PROMAD - Programa Nacional de Modernização da Advocacia
Pressione as teclas CTRL + D para adicionar aos favoritos.